Hoje no dia do empreendedor eu estou até agora trabalhando rsrs e cada dia mais tenho certeza que empreender é sinônimo de civirologia, aliada a muitas técnicas de sobrivência e isso boa parte das mulheres pretas, criadas em favelas e comunidades sabe bem, eu aprendi bem cedo com a minha mãe como driblar a sobrevivência em meio a violência familiar através do que naquela época nem tinha escola, muito menos nomes "hypes", só era o que se era e fazia o que soubesse fazer para ganhar dinheiro e sobreviver.


Eu era uma daquelas crianças velhas que vivia criando casas imaginárias, desenhando e imersa na caixa de tecidos e linhas da minha mãe desde sempre esse bordamento de histórias, de pessoas junto as roupas fez parte de mim. Quis ser designer de moda por muito tempo, acabei fazendo faculdade de licenciatura em artes antes disso, até finalmente chegar ao design que fui estudando paralelamente as quase dez formações em terapias e medicinas ancestrais e com todas esses poucos vinte e seis anos de vida, estou empreendendo minha existência, minha narrativa e criando minha prosperidade através aqui da Amã !


Esses dias eu estava vendo nesses posts de conteúdo de marketing do instagram que um negócio não vai bem se nós não estamos bem, automaticamente eu pensei, hiiii bixa, aqui não tem tempo para isso não. Mas depois eu pensei: - pô, a Amã tá sempre caminhando bem, às vezes mais vendas, às vezes menos, mas tá caminhando. Mesmo assim naquela semana as vendas tinham sido duas apenas e eu pensei que sim, de fato, eu estava em uma semana meio desacreditada, instável com o futuro, cansada e isso reflete no meu negócio né ?!


E tem uma irmã que fala que autocuidado não é para ela, ela tem muito o que fazer para os filhos e para as próximas gerações. Mas qual e o preço disso ?


Para nós mulheres negras, melaninadas é muito comum entrar em um estágio de desumanização, afinal é um processo colonizador, difícil de desfazer desse nó e continuamos nesse lugar de achar que mesmo que nós não estejamos bem, nossos negócios tem que estar bem pois financeiramente falando é dele que vivemos e além disso grande parte dos negócios de afroempreendedores é familiar, ou seja, além de nós, tem mais pessoas dependendo desse sonho.


E como faz para equilibrar isso tudo ? Apesar de eu ter feito mais de sete formações em terapias e medicinas alternativas eu ainda estou no exercício desse equilíbrio KKKKK


Durante sete anos eu vivi dentro de empresas trabalhando com gestão, comunicação, design, educação e etc e tal, houve uma dessas empresas que eu trabalhei que eu cheguei a tomar quase vinte injeções em um ano, na emergência do hospital que era perto do trabalho os enfermeiros me conheciam pelo nome, quando se conhece pelo nome né gente ?! Sinal que minha frequência era assídua. Altas crises de sinusite, alergias, dor nas costas, nebulização, tratamento para asma, em fim. Em um desses momentos eu me perguntei, o que eu com meus vinte e dois anos estou fazendo comigo e com meu corpo ? Eu sempre senti que aquilo não era o normal, não era o feliz e mesmo que eu tenha crescido ouvindo sobre o trabalho edificar a casa e o homem aquilo não era para mim. Depois de um ano de planejamento eu resolvi sair daquele trabalho, ainda fui para outra empresa que foi inclusive a última que trabalhei como designer e agora estou aqui, empreendendo e produzindo saberes a partir da pesquisa-ação da minha narrativa e dos saberes ancestrais.


Mas o que isso tem haver com empreendedorismo e o bem viver ? É aí que gente volta para o questionamento lá do início, lembram ? Se eu não estou bem, meu negócio possivelmente não vai bem.


Como a gente empreende e vive além de ser existente, além de existir ?

Quem cuida de quem cuida ?


Quais tecnologias possuímos para mantermos essa máquina que somos nós ? Essa máquina geradora de pensamentos, das ideias e do fazer existir desses empreendimentos ?


Eu sempre falo que nosso corpo tem memória, N's memórias, principalmente de violências e essas memórias são constantemente faladas, mas também temos outras memórias que são dos saberes intrínsecos no nosso existir e apesar desses tempos pandêmicos, desafiadores em vários sentidos, o que agente conscientemente escolhe ativar para tentar (tentar, um dia de cada vez) alcançar o equilíbrio e bem viver para além de existir ?


Eu ouvi alguma vez que todos os remédios que a gente precisa está a quase 100m da gente, através de plantas e a gente vai existindo e passando despercebida por isso e se fala muito em máscaras para o rosto, o autocuidado sempre atrelado a beleza, mas e quem cuida realmente ? onde fica os chás ? os banhos ? a presença de vida através das plantas na nossa casa, espaço ? como está nosso corpo, nossa dança através do corpo ? esses dias eu tava praticando as posições de flexibilização da yoga, pois eu estava fisicamente e mentalmente muita enrijecida e sendo áspera comigo mesma e eu sou água, sou fluidez ...


Quando eu consigo sintonizar que eu sou água, sou mar aberto eu consigo estar mais próxima de mim, e sinto que assim meu negócio caminha na mesma fluidez. Parece papo gratiluz, papo utopia, mas no meio disso tudo, desse agora, quem são vocês ? como vocês reverberam o seu existir e cuidam de vocês mesmas ?


Eu não sinto que a seja a solução da minha pergunta do equilíbrio entre bem viver e empreender, mas sinto que é um caminho de um pouco mais de leveza e de reconhecimento do que somos... e hoje era a palavra é a medicina da vez e desejo que de alguma maneira elas cheguem com o afeto que sai daqui rsrs para desejar a todas as mulheres pretas que empreendem que estejamos vivas para além de sobreviventes !


Com afeto,

Ray Lima, Parideira aqui da Amã ♡

Terapeuta Ayurvédica, Instrutora de Yoga Africana, Doula na Tradição, Massoterapeuta e Herbalista.


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